Publicado em 19 maio 2026 • por Gustavo De Araújo Escobar •
O Centro de Triagem de Animais Silvestres, unidade vinculada ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, recebeu nesta semana 11 aves silvestres apreendidas durante ação integrada da Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul.
Os animais foram recolhidos após fiscalização que constatou a manutenção irregular de fauna silvestre em cativeiro, sem autorização do órgão ambiental competente.
Entre os animais apreendidos estavam quatro canários-da-terra, quatro coleirinhas, um azulão e um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), espécie protegida internacionalmente e incluída no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Durante a vistoria, foi constatado que nenhuma das aves possuía anilhas de identificação ou documentação de origem legal.
Além das aves, um filhote de beija-flor também está sob os cuidados da equipe do Cetas, recebendo alimentação e acompanhamento especializados, conforme as necessidades da espécie.
Em decorrência das irregularidades, foram lavrados autos administrativos por crime ambiental. As penalidades aplicadas somam R$ 9,5 mil em multas, sendo R$ 4,5 mil referentes às aves passeriformes mantidas ilegalmente em cativeiro e R$ 5 mil pela posse do papagaio-verdadeiro. Todos os animais foram encaminhados ao Cetas, onde passam por avaliação clínica, catalogação e acompanhamento técnico para posterior destinação adequada.
A unidade também recebeu um filhote de tamanduá-bandeira, entregue à PMA por um proprietário rural. O animal foi encontrado em uma propriedade da região e, após atendimento inicial, foi encaminhado para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, em Campo Grande, onde seguirá sob cuidados especializados.
O fiscal ambiental e chefe da Unidade Regional do Imasul em Três Lagoas, Rafael Alex Barbosa, destacou a importância da atuação integrada entre os órgãos.
“Esse tipo de ação demonstra como o trabalho conjunto entre segurança pública e fiscalização ambiental fortalece o combate aos crimes contra a fauna. O resgate e o encaminhamento adequado são fundamentais para garantir a preservação dessas espécies”, afirmou.
O diretor-presidente do Imasul, André Borges, ressaltou o papel estratégico da unidade.
“O Cetas desempenha uma função essencial na reabilitação da fauna silvestre resgatada. Cada animal atendido representa uma oportunidade de conservação e reforça o compromisso do Estado com a biodiversidade”, destacou.
A médica-veterinária do Imasul, Aline Duarte, explicou que o atendimento imediato é decisivo, especialmente em casos envolvendo filhotes.
“O filhote de tamanduá recebeu os primeiros cuidados da equipe técnica e seu encaminhamento para reabilitação é importante para garantir o desenvolvimento adequado e futuras condições de retorno à natureza”, explicou.
Infraestrutura
O Cetas de Três Lagoas é uma estrutura inédita na região e resultado de mais de dez anos de estudos, monitoramento ambiental e articulação entre o poder público e empresas instaladas no município. Sua implantação atende à necessidade de suporte à fauna silvestre em uma região de grande relevância ecológica, com áreas de vegetação nativa, reflorestamentos e corredores ambientais.
A unidade foi projetada para o manejo, atendimento emergencial e permanência temporária de animais silvestres, seguindo critérios técnicos de segurança sanitária e bem-estar animal.
O investimento total foi de aproximadamente R$ 1,7 milhão, com recursos de empresas parceiras para execução da obra e aquisição de materiais. O Imasul também forneceu mobiliário, equipamentos, climatização e veículo, garantindo o pleno funcionamento da estrutura.
Com capacidade para atendimento imediato, o Cetas realiza acolhimento, recuperação e destinação da fauna silvestre, permitindo a reintrodução em ambiente natural ou o encaminhamento ao CRAS, quando necessário.
Fotos e texto: Gustavo Escobar



